segunda-feira, 27 de maio de 2019

82 - PROGRAMAS DE DESENVOLVIMENTO DO CAFÉ DA GORONGOSA



COMUNICADO DE IMPRENSA

Programa de Cooperação entre a Universidade de Lisboa e o Parque Nacional da Gorongosa proporciona doação de equipamento tecnológico.

Segunda-feira, 27 de Maio de 2019 Moçambique, África 

O Programa de Cooperação entre a Universidade de Lisboa (ULisboa) e o PNG foi estabelecido em 2017, por solicitação do PNG e do Camões - Instituto da Cooperação e da Língua, I.P., tendo por base a longa experiência no terreno da equipa do Instituto Superior de Agronomia (ISA), ULisboa no terreno. Este Programa envolve duas escolas da ULisboa, o ISA (instituição coordenadora) e a Faculdade de Ciências (FC). A primeira componente do Programa de Cooperação deu origem ao Mestrado em Biologia de Conservação, ao abrigo de um consórcio entre o PNG, a Universidade do Lúrio, a Universidade do Zambeze e o Instituto Superior Politécnico de Manica. A equipa portuguesa da Universidade de Lisboa envolveu-se na concepção do modelo, capacitação laboratorial, ligação às instituições locais, desenho e implementação, incluindo uma forte componente de docência e as participações na comissão de gestão e conselho científico. 




A segunda componente do Programa de Cooperação está relacionada com o desenvolvimento e implementação do Projecto “Produção Sustentável de Café no Parque Nacional da Gorongosa em Sistema Agroflorestal Integrado no Contexto da Desflorestação, Alterações Climáticas e Segurança Alimentar (GorongosaCafé) (2018-2022). Este projecto trilateral entre Portugal (ISA/ULisboa), Brasil (Universidade Federal do Espírito Santo) e Moçambique (PNG) é financiado pelas Cooperações Portuguesa (Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P.) e Brasileira (Agência de Cooperação Brasileira) e tem os seguintes objectivos específicos:

 • Caracterizar e melhorar a sustentabilidade ambiental do sistema de produção de café;

 • Analisar a capacidade de resiliência do material vegetal no contexto das alterações climáticas previstas para a região; seleccionar genótipos de elite adequados às condições locais/regionais, e promover práticas culturais adequadas à mitigação dos impactos ambientais previstos para a região, nomeadamente através da implementação de sistema agro-florestal com espécies arbóreas nativas; • Implementação de procedimentos que garantam a qualidade e segurança alimentar do grão produzido;

 • Avaliar a possibilidade de introdução de novas espécies de café; 

• Assegurar a qualidade da marca Café da Gorongosa; 

• Capacitar os diferentes actores moçambicanos (agricultores, técnicos, estudantes e investigadores) em toda a cadeia de valor do café. 




No âmbito do projecto “Produção Sustentável de Café no Parque Nacional da Gorongosa em Sistema Agroflorestal Integrado no Contexto da Desflorestação, Alterações Climáticas e Segurança Alimentar (GorongosaCafé), a equipa do ISA/ULisboa formalizou a entrega de um sistema portátil de análise de trocas gasosas foliares LI-6400, ao Administrador do Parque Nacional da Gorongosa, Eng. Pedro Muagura. Tal só foi possível pela doação do equipamento, no valor de cerca de 50 000 euros, pela empresa fabricante (Li-Cor, Lincoln, Nebraska, EUA), e a intermediação decisiva das firmas ARALAB/Concessus (Portugal). Tal equipamento dará um importante contributo para a avaliação da performance eco-fisiológica das plantas de café ao longo de todo o ciclo produtivo, no sentido de ajudar a maximizar a capacidade produtiva das mesmas. Dadas as potencialidades do equipamento, será ainda utilizado no contexto de aulas do Mestrado em Biologia de Conservação, leccionado no PNG. 


O Instituto Superior de Agronomia e a Faculdade de Ciências, escolas da Universidade de Lisboa, têm vindo a consolidar e a capitalizar a experiência multidécada em cooperação para o desenvolvimento, nomeadamente em pesquisa, ensino, transferência de conhecimento e capacitação nos países africanos de língua portuguesa (PALOP). A parceria estabelecida com o PNG representa uma oportunidade única de partilha de conhecimento e de metodologias de ensino e investigação aplicadas ao desenvolvimento socioeconómico, conservação da biodiversidade, adaptação ambiental e segurança alimentar. A contribuição da Universidade Federal do Espírito Santo está focada na produção do café, na orientação técnica para a produção, desde a preparação do solo para o plantio, passando por diversas etapas, indo até o processamento do fruto. Esta orientação ocorre no PNG e também foi proporcionada em duas visitas da equipa do PNG ao Brasil, especificamente ao Estado do Espírito Santo. Também estão a ser realizadas actividades de pesquisa relacionadas directamente à produção e à qualidade do café, como por exemplo a caracterização do crescimento sazonal do café em diferentes níveis de sombreamento e altitude, a avaliação de nove cultivares de café arábica e em breve a introdução do café Conilon/Robusta e a avaliação de ambientes de secagem e com e sem descascamento do fruto. Tudo isso e outras actividades em conjunto, envolvendo toda a equipa, para proporcionar melhor produção e qualidade de vida para a população da Serra da Gorongosa e ao mesmo tempo preservar o ambiente. 

Sobre o Parque Nacional da Gorongosa e o Projecto da Gorongosa 
O Parque Nacional da Gorongosa é o principal parque nacional de vida selvagem de Moçambique, localizado na extremidade sul do Grande Vale do Rift do Leste Africano. É o lar de alguns dos ecossistemas biologicamente mais ricos e geologicamente mais diversos do continente africano. As suas fronteiras abrangem as grutas e desfiladeiros do planalto de Cheringoma, as vastas savanas do Vale do Rift, e a preciosa floresta tropical da Serra da Gorongosa. O Parque Nacional da Gorongosa é co-gerido pelo Governo de Moçambique e pelo Projecto da Gorongosa. O Parque integra a conservação e o desenvolvimento humano com a compreensão de que um ecossistema saudável e comunidades humanas saudáveis são dois lados da mesma moeda. A investigação científica é uma componente integral do esforço de restauração a longo prazo da Gorongosa, uma vez que uma compreensão profunda do ecossistema da Gorongosa ajudará os gestores do Parque a tomar decisões de conservação bem informadas. Um dos papéis mais importantes do Parque é fornecer formação para a próxima geração de cientistas Moçambicanos no Parque, e também enviá-los a universidades para diplomas avançados. Vários estudantes, que recebem assistência financeira total ou parcial do Laboratório de Biodiversidade E. O. Wilson, já começaram a estudar para futuras carreiras como veterinários, ecologistas e técnicos de laboratório em universidades.

Para mais informações: Se desejar receber mais informações sobre este assunto, por favor ligue para Vasco Galante através de +258 822970010 ou envie email para vasco@gorongosa.net. Para informações de carácter mais genérico por favor visite: http://www.gorongosa.org

(FIM DA TRANSCRIÇÃO)


AGRADECIMENTO
ao Dr. Vasco Galante pelo envio do presente Comunicado, que revela os avanços  de um dos programas mais influentes na recuperação da Serra da Gorongosa - a plantação de café integrada no ambiente florestal (algum endémico), vital para a sustentabilidade do principal ecossistema do Parque.

O grupo de Amigos da Gorongosa regozija-se com mais este empreendimento, fruto da  laboriosa acção das direcções do PNG e do seu Projecto de Restauração.

Lisboa, 27 de Maio de 2019

Celestino Gonçalves
(Membro decano do NC do GAG)


quinta-feira, 16 de agosto de 2018

81 - Os Fiscais do Parque Nacional da Gorongosa



Na Linha da Frente: Os Fiscais do Parque Nacional da Gorongosa

Na Linha da Frente - TeaserNa Linha da Frente: Os Fiscais do Parque Nacional da Gorongosa

Proteger as belas áreas de conservação de Moçambique requer coragem, capacidade e paixão. No Parque Nacional da Gorongosa, um grupo de homens e mulheres suportaram treinos difíceis para tentar realizar o sonho de se tornarem Fiscais. 
 
Neste documentário de longa-metragem de 80 minutos, contamos a história inspiradora de Fiscais que são escolhidos para usar orgulhosamente o uniforme.
 
No Parque Nacional da Gorongosa, em Moçambique, uma equipa de 260 Fiscais está "na linha de frente" para proteger esta bela área de conservação de uma série de ameaças como a caça furtiva e a extracção ilegal de madeira.
 
Mas a Gorongosa tem quatrocentos mil hectares - os Fiscais precisam urgentemente de reforços. Centenas de candidatos das comunidades locais tentam ultrapassar os intensos testes físicos e mentais necessários para se tornarem um Fiscal da Gorongosa, incluindo pela primeira vez candidatas do sexo feminino.
 
700 candidatos tentam passar nos intensos testes mentais e físicos necessários para se tornarem num Fiscal da Gorongosa. E, pela primeira vez na história do Parque, as mulheres puderam inscrever-se. Mas elas não receberão nenhum tratamento preferencial e terão de suportar as árduas provas de selecção durante 60 dias, tal como os homens, para estarem em forma e preparadas para o trabalho que está por vir.
 
Vice-Ministra da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural, Celmira da Silva, com os Fiscais Premiados
 
Sobre a Estreia do Filme:
O filme é uma história inspiradora, com uma mensagem poderosa sobre como proteger os parques e reservas nacionais únicos e belos de Moçambique.
 
Será uma importante ferramenta de consciencialização, tanto para o público em geral quanto, principalmente, para os que tomam decisões ao mais alto nível do país. Esperamos assim que este filme contribua para que o Governo de Moçambique continue a fazer da conservação uma das grandes prioridades nacionais.
 
A estreia mundial do filme teve lugar em Maputo, no dia 31 de Julho, pelas 17h no Centro de Conferências Joaquim Chissano.
 
Neste mesmo local, a partir das 14h, foi aberta uma Exposição de Fotografias alusivas ao Dia do Mundial do Fiscal e iniciou-se um leilão silencioso do Trono criado pelo artista Gonçalo Mabunda a partir das armadilhas capturadas pelos Fiscais da Gorongosa.
 
A partir das 15h houve uma entrega de prémios e diplomas aos melhores Fiscais de todas as Áreas de Conservação de Moçambique pela Vice-Ministra da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural, Celmira da Silva, que em seguida discursou.
 
Neste evento estiveram também presentes membros do Governo, e das comunidades empresarial e diplomática, que assim homenagearam o trabalho dos Fiscais de Moçambique.
 
Como forma de comemorar o Dia Mundial do Fiscal, a TVM e a STV transmitiram vídeos promocionais alusivos ao dia e a TVM transmitiu o próprio filme a partir das 21h.
 
Objectivos do Filme:
 
- Aumentar o perfil dos Fiscais em Moçambique e aumentar a consciencialização sobre a necessidade de treinar e equipar os Fiscais como parte de uma estratégia mais robusta de aplicação da Lei nas Áreas de Conservação de Moçambique;
 
- Utilizar o filme como um veículo para gerar consciencialização e apoio dos Fiscais em Moçambique (e noutros países). Bem seleccionados, bem equipados, com salário adequado; - Divulgar entre os Moçambicanos os desafios da fauna bravia, da conservação e do meio ambiente. Este será um momento importante para a solidariedade e um apelo por um apoio renovado para a protecção das Áreas de Conservação de Moçambique. Ficará demonstrada a necessidade de expandir a força nacional de Fiscais.
 
 
Resultados do aumento do número de Fiscais:
 
A nova estratégia na aplicação da lei e o aumento do número de Fiscais resultaram em patrulhas bem-sucedidas. Em 3 anos e num total de 2.640 patrulhas: 
 
- foram removidas e destruídas 18.306 armadilhas de cabos de aço; 
- foram removidas e destruídas 644 armadilhas de mandíbula de aço; 
- foram apreendidas 79 armas de fogo, incluindo AK-47s.
 

quarta-feira, 4 de abril de 2018

80 - O REGRESSO DOS LEOPARDOS AO PARQUE NACIONAL DA GORONGOSA






COMUNICADO DE IMPRENSA
PARA DISTRIBUIÇÃO IMEDIATA

 O Regresso dos Leopardos ao Parque Nacional da Gorongosa

Terça-feira, 3 de Abril de 2018
Moçambique, África – O Parque Nacional da Gorongosa é a principal área natural de Moçambique. O Parque é o coração de uma região onde o Governo de Moçambique e a Fundação Carr se associaram num plano de longo prazo para trazer de volta à vida um vasto e diversificado ecossistema natural. Os programas do Parque também beneficiam as comunidades humanas vizinhas - uma visão para uma área onde as necessidades da natureza e das pessoas se pretendem equilibradas.
Hoje, muitas espécies no Parque voltaram em força. A uma curta distância de carro do alojamento principal em Chitengo, podemos encontrar manadas de impalas, inhalas, cudos, inhacosos (pivas) e elefantes. Estes herbívoros são as espécies fundamentais sobre as quais um ecossistema em recuperação se baseia, e o que se pode esperar é que depois venham os seus predadores naturais. O retorno de grandes carnívoros - leões, leopardos, hienas e cães pintados (mabecos) – seria um forte indicador do equilíbrio ecológico e de um ecossistema saudável.
Misteriosamente, no entanto, apesar de uma população de leões em recuperação, presas abundantes e habitat adequado, por mais de uma década, o felino mais esquivo de África - o leopardo - mostrou poucos sinais de existir no Parque. Nem um único leopardo havia sido avistado por qualquer fiscal, guia de safaris, câmara remota ou expedição científica desde 2008.

Mas eis que o inesperado aconteceu.



Imagem cedida por Zander Beetge a quem desde já agradecemos


No dia 29 de Março de 2018, a apenas 20 minutos do alojamento principal do Parque em Chitengo, o guia Leonardo Felix Mandevo do Parque Nacional da Gorongosa regressava ao acampamento ao fim do dia, quando apontou o holofote através de uma moita de palmeiras e o foco de luz mostrou um leopardo macho. O leopardo atravessou calmamente a picada em frente a um grupo de turistas incrédulos (Zander Beetge, Marlina Moreno e Tero Makinen) e de guias (Leonardo Mandevo e Richard Lusinga). Naquele único lampejo de luz, foi feita história e uma espécie que não era vista por ninguém no Parque há mais de uma década estava oficialmente de volta ao mapa.

"Ver é crer. A Gorongosa é saudável. A minha alegria duplicou quando vi a felicidade dos nossos guias Moçambicanos que viram o leopardo. Este ecossistema é a sua herança cultural e biológica”, disse Greg Carr, que co-gestiona o Projecto da Gorongosa desde 2008.

Mandevo foi o primeiro a identificar o leopardo. Ele nasceu na Vila da Gorongosa, e co-lidera safaris no Parque diariamente para um crescente mercado de turistas que visitam a Gorongosa. “É uma grande honra ter visto o leopardo. Estou aqui há três anos e estamos sempre a tentar encontrar um. Quando finalmente consegui, quase não acreditei nos meus olhos. Estou muito feliz!”, disse Mandevo.

Os grandes felinos sobrevivem hoje em áreas protegidas da África por causa do trabalho dedicado dos fiscais locais para proteger os seus habitats. As missões e patrulhas da equipa treinada do Parque, composta por 230 fiscais - todos Moçambicanos - produziram, em termos inequívocos, resultados tangíveis. Equipas de fiscais patrulham o Parque diligentemente, 365 dias por ano, cobrindo milhares de quilómetros enquanto percorrem uma natureza selvagem que poucas pessoas experimentaram na sua plenitude. O seu trabalho levou a um declínio de 94% em leões apanhados em armadilhas no Parque e de 60% no declínio na pressão da caça furtiva, em apenas dois anos.

O Dr. Rui Branco, Chefe da Fiscalização do Parque, que supervisiona os fiscais, comentou: “Conhecendo os altos riscos para a recuperação dos leopardos, focámo-nos intensivamente na garantia de um corredor chave ao longo da fronteira leste do Parque que é adjacente a vastas concessões florestais às quais se segue a Reserva do Marromeu. Sabemos que populações remanescentes ainda existem lá. Este corredor é crítico para a sobrevivência dos leopardos nesta região. Hoje temos uma prova viva de porque é que este trabalho é importante.”

Nas próximas semanas, os fiscais e a equipa de monitoramento dos grandes felinos continuarão a seguir a pista do leopardo para tentar entender mais sobre aonde ele está a movimentar-se e se ele está com outros leopardos nesta área. "Quando alguém chega, o mais provável é que surjam mais", disse Paola Bouley, directora-adjunta da equipa de recuperação de carnívoros apoiada pela “Big Cat Initiative” da National Geographic. “Este é um macho em óptima forma. Jovens machos como este são os exploradores que vão sempre mais longe à medida que buscam novos territórios e companheiras, forçando os limites. As pessoas sempre nos têm perguntado se temos leopardos no Parque, bem, finalmente podemos dizer: sim, temos!".

Mais informações: Os ecossistemas em todo o planeta evoluíram para acomodar populações saudáveis de presas, bem como as principais espécies de carnívoros que dependem delas para a sua sobrevivência. Infelizmente, muitas populações de grandes carnívoros sofreram declínios em grande escala: perda de habitat e perda de presas; comércio ilegal crescente de partes do corpo, devido à procura para usos tradicionais e pelos mercados orientais; e, também conflito com os seres humanos e os seus animais domésticos. Em reconhecimento pelo seu futuro ameaçado, em 2016, os EUA listaram o leão africano no Acto de Espécies Ameaçadas. Pouco tempo depois, os cientistas demonstraram que os leopardos logo seguirão o mesmo caminho se a sua protecção não for fortalecida. Mesmo uma espécie tão tenaz, esquiva e adaptável a ambientes dominados por seres humanos como o leopardo simplesmente não está mais em segurança.

Em lugares remotos da África selvagem - como o centro de Moçambique - algumas dessas espécies persistem. Elas têm uma forte probabilidade de sobrevivência se forem o foco de intensos esforços de recuperação, como o programa da Gorongosa. O Projecto da Gorongosa assinou recentemente parcerias estratégicas com proprietários de terras adjacentes ao Parque para preservar e proteger os principais corredores de fauna bravia e para assegurar que paisagens grandes e conectadas façam parte do futuro desta região.


Sobre o Parque Nacional da Gorongosa e o Projecto da Gorongosa
O Parque Nacional da Gorongosa é o principal parque nacional de vida selvagem de Moçambique, localizado na extremidade sul do Grande Vale do Rift do Leste Africano. É o lar de alguns dos ecossistemas biologicamente mais ricos e geologicamente mais diversos do continente africano. As suas fronteiras abrangem as grutas e desfiladeiros do planalto de Cheringoma, as vastas savanas do Vale do Rift, e a preciosa floresta tropical da Serra da Gorongosa.

O Projecto da Gorongosa integra a conservação e o desenvolvimento humano com a compreensão de que um ecossistema saudável beneficiará os seres humanos, que por sua vez serão motivados a apoiar os objectivos do Parque da Gorongosa.


Para mais informações:
Se desejar receber mais informações sobre este assunto, por favor ligue para Vasco Galante através de +258 822970010 ou envie email para vasco@gorongosa.net.

Para informações de carácter genérico, por favor consulte www.gorongosa.org


sábado, 17 de março de 2018

79 - RELATÓRIO DAS ACTIVIDADES DO ANO DE 2017 NO PARQUE NACIONAL DA GORONGOSA




DO IMPORTANTE E EXTENSO RELATÓRIO DAS ACTIVIDADES DO PARQUE NACIONAL DA GORONGOSA, DURANTE O ANO DE 2017, ACABADO DE PUBLICAR NOS SEUS  ÓRGÃOS OFICIAIS, DESTACAMOS AQUI A MENSAGEM DO SEU ADMINISTRADOR, DR. MATEUS MUTEMBA. ESTE CONCEITUADO TÉCNICO, QUE HÁ VÁRIOS ANOS VINHA DESEMPENHANDO ESTE E OUTROS CARGOS DE DIRECÇÃO NO MESMO PARQUE, ACABA DE SER NOMEADO DIRECTOR NACIONAL DA ADMINISTRAÇÃO NACIONAL DAS ÁREAS DE CONSERVAÇÃO (ANAC), ORGANISMO DE TUTELA DESTE IMPORTANTE SECTOR DE RECURSOS NATURAIS DE MOÇAMBIQUE.

PARA CONHECER OS SUCESSOS ALCANÇADOS NA GORONGOSA,  DURANTE O ANO TRANSACTO,  BEM COMO OS PROTAGONISTAS ENVOLVIDOS,  CONSULTE AQUI O REFERIDO RELATÓRIO

EM NOME DE TODOS OS MEMBROS DO NÚCLEO COORDENADOR DO GRUPO DE AMIGOS DA GORONGOSA (GAG), ENDEREÇO ÀS DIRECÇÕES DO PARQUE E DO SEU PROJECTO DE RESTAURAÇÃO, AS NOSSAS MAIS VIVAS FELICITAÇÕES POR TAIS SUCESSOS.

LISBOA, 17 DE MARÇO DE 2018

CELESTINO GONÇALVES

(Membro decano do NC do GAG)




Gorongosa Destaques 2017



 
Caros amigos e apoiantes, 
Os parques nacionais servem como motores de desenvolvimento humano, promovendo investimentos nacionais e internacionais e criando emprego nas diferentes actividades, ciência e turismo. O desenvolvimento é fundamental para o sucesso da conservação da biodiversidade, uma vez que as  comunidades empobrecidas dependem fortemente dos recursos naturais em detrimento das áreas protegidas. No Parque Nacional da Gorongosa, reconhecemos estas sinergias entre o desenvolvimento e a conservação, mas, acima de tudo, reconhecemos o desenvolvimento humano como uma missão crítica e urgente, por direito próprio.
O ano 2017 tem sido dominado por ventos de mudança e esperança. Após mais de dois anos, a tensão político-militar em partes do distrito da  Gorongosa, na nossa bela Serra da Gorongosa, chegou ao fim. Tenho a  satisfação de informar que durante este ano, de acordo com o nosso Plano de Gestão do Parque 2016-20, tivemos a capacidade de ampliar todas as nossas operações assim como fomos capazes de retomar muito do nosso trabalho, mesmo nos lugares mais seriamente afectados na ZonaTampão do Parque.
O governo de Moçambique tem vindo a apresentar resultados no seu objectivo de encontrar parceiros dedicados para a gestão dos seus Parques Nacionais, tal como estabelecido no Plano Estratégico para a Administração Nacional das Áreas de Conservação para o período de 2015-24. Aqui na Gorongosa, estamos particularmente gratos por uma parceria única com Greg Carr, que se tem dedicado juntamente com a sua Fundação a tornar a Gorongosa novamente grandiosa como um motor de desenvolvimento para a província de Sofala. O Greg está a trabalhar com toda a equipa da Gorongosa e uma infinidade de intervenientes públicos e privados para criar a Visão da Grande Gorongosa. Enquanto o Parque constitui o polo de  desenvolvimento da região, as pessoas que vivem na Zona Tampão do Parque permanecem no cerne da visão.
Com a assistência dos nossos valiosos parceiros temos sido capazes de expandir tanto a infraestrutura como o nosso trabalho com 16 comunidades em seis distritos ao longo da Zona Tampão de 5.333 km2, que inclui cerca de 177.000 pessoas. Apesar de desafios tais como pestes, os pequenos agricultores têm vindo a beneficiar da melhoria da produção e do acesso ao mercado e a produção de café na Serra da Gorongosa foi restabelecida. 
Os nossos contributos educacionais desde a escola primária até ao nível  universitário aumentaram substancialmente, e incluíram o lançamento oficial da iniciativa dos “Clubes de Raparigas” destinados a reter as meninas na  escola e reduzir a gravidez infantil. O evento foi conduzido pela Primeira-Dama de Moçambique, Isaura Nyusi, que se tornou patrona do programa.
No campo da conservação, os nossos números de fauna bravia estão a  aumentar substancialmente. A mobilização dos nossos fiscais e  equipamentos juntamente com o reforço das capacidades e incentivos financeiros, uma maior consciência e colaboração com o sistema judiciário e a polícia da República tem resultado num acréscimo de detenções e casos criminais devidamente condenados por crimes cometidos contra a fauna bravia.
O nosso número de pessoal efectivo está a crescer tanto em quantidade como em qualidade. Actualmente temos 592 empregados a tempo inteiro e 210 a tempo parcial a trabalhar no Parque, não incluindo os 75  empregados do Montebelo Gorongosa Lodge & Safari. Apraz-me em especial o No campo da conservação, os nossos números de fauna bravia estão a  aumentar substancialmente. A mobilização dos nossos fiscais e  equipamentos juntamente com o reforço das capacidades e incentivos financeiros, uma maior consciência e colaboração com o sistema judiciário e a polícia da República tem resultado num acréscimo de detenções e casos criminais devidamente condenados por crimes cometidos contra a fauna bravia.
No sector do turismo, demos início à construção do primeiro acampamento turístico de gama alta, Muzimu, com a imagem de marca da Gorongosa Collection, estando previsto que dê início à sua actividade no decorrer do primeiro semestre de 2018.
O Laboratório de Biodiversidade EO Wilson foi alargado e prosseguiu com o crescimento do seu papel na educação científica e aplicámos os nossos esforços na diversificação do campo de investigação e no envolvimento de instituições de investigação nacional e internacional no Parque.A nível nacional e internacional, o Parque recebeu incentivos encorajadores através de prémios internacionais tanto para o Greg Carr como para mim, como Administrador do Parque e uma porção de convites para fazer  apresentações e partilhar experiências em conferências e seminários. 
Ao terminar este ano de desafios e muitas conquistas, quero expressar a minha gratidão a toda a equipa do Parque Nacional da Gorongosa pelo seu trabalho árduo e compromisso incomparável para com a nossa missão. Gratidão semelhante é estendida a todos os níveis governamentais (distrital, provincial e central), bem como às comunidades locais, cujo apoio foi  fundamental em tudo o no que temos conseguido em 2017.
Com tanto a acontecer em 2017, podemos definitivamente olhar em frente para uma actividade ainda maior em 2018. Agradecemos pela continuidade do vosso apoio e aguardamos com expectativa para unirmos novamente as nossas forças no novo ano! Por favor junte-se a mim na leitura e apreciação destes Destaques da Gorongosa em 2017
Mateus Mutemba.