sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

6 - ALMOÇO-CONVÍVIO DO 8º ANIVERSÁRIO DO GAG



          ALMOÇO-CONVÍVIO DE COMEMORAÇÃO DO 8º          ANIVERSÁRIO DO GAG

             

         O Núcleo Coordenador do Grupo de Amigos da Gorongosa  (GAG),  tem o prazer de  anunciar que vai realizar, a 15 de Fevereiro próximo (sábado), o  almoço-convívio anual  comemorativo do seu 8º Aniversário.

       O evento vai ter lugar em Coimbra, no Hotel D. Luís,  localizado num dos lugares mais belos da margem  esquerda do rio Mondego  de onde se desfruta a cidade num panorama de indescritível beleza!

        Pela primeira vez  o nosso almoço anual é feito fora de Lisboa, facto que  foi influenciado pelo desejo e intervenção do Snr. Greg Carr , no decorrer do almoço-convívio do 7º aniversário do GAG realizado a 2 de Março de 2013,  onde manifestou   vivo interesse em que futuros almoços fossem igualmente feitos não só em Lisboa, mas também no centro, norte e sul do país.

        A escolha de Coimbra para o almoço de 2014, pretende potenciar a feliz designação de “Dia da Gorongosa “ que a Universidade de Coimbra escolheu para dar relevo à cerimónia de 14 de Fevereiro próximo, aquando da assinatura do acordo de parceria entre o Parque Nacional da Gorongosa ( PNG ) e a Universidade de Coimbra.

        Procuramos assim, a exemplo de outros anos, juntar e conviver com diversos amigos, unidos pelo sentimento comum do gosto da Natureza e defesa da fauna bravia, com particular destaque para o PN da Gorongosa cuja representação na cerimónia de Coimbra e no nosso almoço englobará o filantropo Snr. Greg Carr e alguns dos principais elementos da sua equipe.

        O Grupo de Amigos da Gorongosa ( GAG ) congratula-se com mais esta iniciativa dos responsáveis do PNG, visando cumprir e reforçar o  programa de restauração do Parque, em curso desde 2005.

Este programa , que é um marco histórico da defesa da fauna bravia em Africa e no caso concreto em Moçambique, envolve o entusiasmo de uma dedicada equipe e um investimento considerável do referido filantropo, que em conjunto com o Governo de Moçambique, não poupam esforços na recuperação do fantástico “ Santuário Bravio “ que é o PNG.

      Todos os anos o GAG tem participado nestes eventos de promoção e divulgação do PNG, normalmente na BTL, mas desta vez em Coimbra, pelos motivos referidos. Assim, o GAG associa-se às partes envolvidas e organiza o seu almoço-convívio na data seguinte à assinatura do acordo, proporcionando deste modo uma saudável  confraternização  entre os moçambicanos que integram a comitiva  do PNG, os seus anfitriões da UC e os  Amigos da Gorongosa que  marcarão presença.

     Para quem ainda não está familiarizado com o  GAG, nomeadamente sobre a sua história,  objectivos, quem coordena o mesmo, convívios anteriores, etc., deixamos AQUI  o Link de acesso ao nosso Blog, onde podem ficar esclarecidos. A partir do mesmo Blog podem aceder a outros sítios da Net, nomeadamente à página interactiva do GAG no Facebook e aos diversos  sítios do PNG.

              As inscrições para o almoço-convívio ficam desde já abertas e prolongar-se-ão até ao dia 7 de Fevereiro próximo, devendo para o efeito seguir as indicações do “Boletim de Inscrição” constante do anexo. Findo este prazo  e até à véspera do almoço, aceitar-se-ão inscrições condicionadas às vagas existentes e acrescidas de 20%,  valor este que a direcção do Hotel exige por se tratar de presenças extra não previstas na data limite de inscrições.

            Se já participou em qualquer dos nossos almoços anuais, o seu nome está incluído na lista de membros do GAG.  Se é a primeira vez que participa, passará a ser um “AMIGO DA GORONGOSA” e como tal membro do GAG sem qualquer vínculo obrigatório visto que o GAG é um grupo informal.  Apenas desejamos ter o seu nome e respectivo endereço de e_Mail e/ou de telefone.

       Para inscrição e mais informação sobre o almoço, favor consultar o ANEXO


SAUDAÇÕES AMIGAS DOS MEMBROS DO NC DO GAG!

 Maria de S. José Santos, Graça Moreira, Vasco Galante, José Canelas de Sousa, Celestino Gonçalves,  Fernando Gil e Luís Fernandes

 Imagem intercalada 3


ANEXO 


ALMOÇO CONVÍVIO
(8º aniversário do GAG)

Data: 15 de Fevereiro de 2014, com início às 13.00H

Local: HOTEL D. LUÍS – COIMBRA

Quinta da Várzea – 3040-091
Telefone: 239 802 120
Telemóvel Departamento Comercial: 925 787 680
Coordenadas GPS: N 40º 11’ 22.9” / W 08º 25’ 52.2”


(clicar na foto para ver o vídeo do Hotel)





menu DO ALMOÇO

ENTRADAS
·          Melão, presunto, pá fumada, 2 tipos de queijo, azeitona temperada, saladinha de polvo, paté de atum, tarteletes com requeijão e doce de abóbora e variedades de pão e tostas.
     SOPA
·          Aveludado de garoupa. Alternativa: Creme de cenoura
      PRATO DE PEIXE
·          Medalhões de tamboril à transmontana com puré e bróculos ao vapor 
      INTERCALAR
·          Corta sabores tipo sorvete de limão
      PRATO DE CARNE
·          Mignons de vitela com bacon em paveia de feijão-verde
NOTA: Em casos especiais o Hotel disponibiliza-se para servir pratos diferentes (peixe ou carne) desde que façam parte dos seus menus habituais, devendo os eventuais interessados dirigir-se ao responsável da Sala antes do início do almoço.
         SOBREMESA
·          Maçã assada com gelado de baunilha + Salada de frutas
        BEBIDAS
Água mineral, refrigerante, vinho branco ou tinto Messias Selection (Bairrada, Dão ou Douro) ou cerveja e café ou chá.

NOTA: Serão servidos digestivos (aguardentes de medronho e S. Domingues) oferta de membros do GAG           


BOLETIM DE INSCRIÇÃO


NOME


telemovel

E-MAIL


Já participou em eventos anteriores do GAG?
Sim

Não



Nº de Pessoas
Adultos

27,00€ Cada
Subtotal


Crianças
4 A 8 Anos

13,50€ Cada
Subtotal



TOTAL



1.     MODALIDADE única de pagamento:
·                   Transferência para a conta bancária (BPI) aberta pelo Núcleo Coordenador do GAG exclusivamente para este evento, com as seguintes referências:

- Destinatário: Grupo de Amigos da Gorongosa

 - NIB: 0010 0000 50510780001 87

·                   É indispensável o envio do comprovativo da transferência.
2.     Prazo limite de inscrição e pagamento: 07-02-2014
3.     INSCRIÇÕES:
·                   Enviar o pedido de inscrição por E-mail para um dos dois membros do Núcleo Coordenador do GAG a seguir indicados, fornecendo os dados do presente Boletim ou preenchendo e enviando o mesmo (inserido ou em anexo):
Celestino Gonçalves
Telemóvel: 918691611
Graça Moreira
Telemóvel: 968063741





Informação complementar

·          A direção do Hotel D. Luís oferece aos participantes no almoço do GAG, que o desejarem, uma tarifa especial de alojamento nos dias 14 e 15 de Fevereiro.
Para o efeito deverão os interessados dirigir-se ao mesmo Hotel através dos contactos referidos na primeira página deste anexo.
·          Para mais informações relacionadas com o evento, podem ser contactados, para além dos elementos responsáveis pelas inscrições, mais os restantes membros do NC a seguir indicados:

LISBOA –  
Maria de S. José Santos:
Telemóvel: 962555350;
José Canelas de Sousa:
Telemóvel 968012479;
Fernando Gil:
E-mail: macua39@gmail.com 
Telemóvel: 962595102;
COIMBRA –
Luís Fernandes :
Telemóvel: 937018259;
MOÇAMBIQUE –
Vasco Galante :
Telemóvel: 00258822970010

  







quinta-feira, 21 de novembro de 2013

5 - REESTRUTURAÇÃO DO NÚCLEO COORDENADOR DO GAG


      APRESENTAÇÃO DO NOVO NÚCLEO COORDENADOR
DO   GRUPO DE AMIGOS DA GORONGOSA
- G A G -

Por se ter verificado alteração na composição do Núcleo Coordenador (NC) do GAG, por demissão de dois dos seus 6 membros, os restantes 4 no activo tomaram a iniciativa de convidar alguns Amigos da Gorongosa que tiveram ou têm fortes ligações ao Parque, para uma reunião que teve lugar no dia 27 do passado mês de Outubro, na qual foi discutida a situação do GAG face às dificuldades de dar continuidade às suas atividades de divulgação da Gorongosa e realização dos habituais eventos anuais comemorativos dos aniversários do Grupo, limitados a um tão reduzido número de membros.

Foi  acordado nessa reunião aumentar consideravelmente o número de membros e dividir o NC em dois setores, sendo um composto por membros ativos e outro por membros colaboradores.

Foram  integrados no NC Ativo aqueles que se disponibilizaram a participar nas tarefas acima indicadas ocorrendo elas em qualquer ponto do país. No NC Colaborante ficaram integrados os que, por diversos motivos, só podem colaborar nos eventos quando estes se realizem na região das suas residências.

Ficou assim composto o Núcleo Coordenador:

NC ATIVO

1 - Maria de São José Santos
2 - Graça Moreira
3 - Vasco Galante
4 - José Canelas de Sousa
5 - Fernando Gil
6 - Celestino Gonçalves
7 - Luís Fernandes

NC COLABORANTE
1 - Zilda Fernandes
2 - Albano Cortez
3 - Manuel Romão
4 - Jorge Faria
5 - António Sequeira Mendes

No "Perfil e Objetivos" do GAG passam a constar algumas normas anteriormente não previstas e que também foram acordadas na mesma reunião, relativamente ao funcionamento do NC e à organização dos eventos.

Seguem-se as fotos-retrato dos membros do NC reestruturado,, seguidas de breves referências pessoais para melhor identificação das suas ligações do Parque Nacional da Gorongosa:

1 - NC ACTIVO


Maria de São José Santos - Professora. Visitou demoradamente o PNG nos anos  de 2006, 2007 e 2008 e acompanha de perto a evolução dos trabalhos de restauração ali em curso por parte do Projeto de Restauração financiado pelo americano Greg Carr.




Graça Moreira - Reformada do Secretariado da Universidade de Braga. Viveu na Beira desde os 3 anos de idade e visitava com frequência o PNG com os seus familiares.




Vasco Galante - Diretor de Comunicação do Parque Nacional da Gorongosa desde 2005




José Canelas de Sousa - Diretor comercial, reformado.  Foi
      Funcionário superior  da SAFRIQUE e último diretor desta  
      empresa que foi considerada na época a maior empresa de safaris
        de África (caça e observação da vida animal). Colaborou
          diretamente com o PNG devido aos cargos exercidos na mesma
           empresa (anos de 1970 a 1978),  que era concessionária da
             exploração do acampamento turístico do Chitengo  e também
              efetuava safaris contemplativos no Parque.




Fernando Gil -  Capitão do exército, reformado, natural de
                     Moçambique. Foi visitante assíduo do PNG nos últimos anos do
                    período colonial, quer como colaborador, quer como visitante.
                    
                     

            Celestino Gonçalves - Técnico de fauna, reformado. Exerceu
                   funções em Moçambique de 1952 a 1990.  Coadjuvou os
                   administradores não residentes do PNG de 1963 a 1967 e os
                   diretores dos Serviços de Fauna Bravia de 1969 a 1982.
                   Foi administrador do Centro de Formação Agrária 
             de 1982 a 1990.



                 
       
  Luís Fernandes -  Técnico de fauna, reformado. Exerceu funções
                    no PNG de 1963 a  1975, atingindo o cargo de adjunto de
                                             administrador. Depois de regressar a Portugal e durante muitos anos                                             exerceu funções ligadas à fauna bravia da região centro do país.



2 - NC COLABORANTE

                                                                 
 
   

       Zilda Fernandes -   Professora reformada . Foi a 1ª professora    
                              primária do Chitengo –  PNG - 1965/1975.



Albano Cortez - Médico veterinário, reformado. Foi para
                                        Moçambique  com apenas 1 ano de idade, tendo sido
                                       administrador residente do PNG  - o último do período
                                                                colonial (1972/1973).


                  

     Manuel Romão   -  Médico veterinário, filho do 1º administrador 
                 residente do PNG, Dr. Francisco Prestes Romão. Viveu e
             estudou a fauna do Parque  durante a vigência do pai como seu
              administrador – 1967/1972. Como legado ao Parque, deixou
                  uma coleção de borboletas constituída por cerca de 200
                            exemplares, devidamente identificados.





       Jorge Faria  -  Jorge Faria: Consultor de empresas e formador nas 
áreas de liderança e de equipas comerciais. Visitou o Parque e  acompanha de perto 
o trabalho levado a cabo pela equipa do projeto de restauração financiado por Greg Carr .





      António Sequeira Mendes: Reformado. Exerceu funções no  
                                  PNG como quadro da fiscalização – 1965/1968 -, lugar que
                                                             deixou a seu pedido. 


Saudações amigas dos membros do NC reestruturado!

Lisboa, 21 de Novembro de 2013


ADENDA DE 15 DE MARÇO DE 2014

Na reunião do Núcleo Coordenador, realizada em Lisboa a 15 de Março de 2014, com a presença de 10 dos 12 membros nomeados a 27 de Outubro de 2013 (ausentes: Albano Cortez e António Sequeira Mendes), foi aprovada por unanimidade e consta da acta da mesma reunião, a seguinte proposta apresentada pelo membro Celestino Gonçalves:

- Aumentar de 5  para 6 o número de membros do NC colaborante, lugar este a ocupar por Rui António Figueiredo Gonçalves, por se tratar de um elemento que nos últimos dois anos tem vindo a apoiar os trabalhos de organização dos eventos anuais do GAG e ter declarado, na mesma reunião, desejar fazer parte do NC que agora fica a contar com 13 membros (7 efectivos e 6 colaborantes).

Segue-se foto e dados curriculares do novo membro:



Rui António Figueiredo Gonçalves, funcionário público, de 57 anos de 
idade, natural de Moçambique e residente em Mafra. Frequentou assíduamente o PNG
desde os 5 aos 17 anos de idade.


  Lisboa, 15 de Março de 2014





sexta-feira, 22 de março de 2013

4 - HOMENAGEM A JOÃO AUGUSTO SILVA


HOMENAGEM A JOÃO AUGUSTO SILVA
(1910-1990)


JOÃO AUGUSTO SILVA (1910-1990)

A Sociedade de Geografia de Lisboa vai promover uma Sessão de Homenagem ao conhecido Artista Plástico, Investigador e Escritor de África que foi JOÃO AUGUSTO SILVA, cujo livro "ÁFRICA - da vida e do amor na selva", de sua autoria, foi
distinguido com o 1º prémio de literatura colonial.

Com o Alto Patrocínio de Sua Excelência o Presidente da República.

Dia 3 Maio, sexta-feira às 16 Horas na Sociedade de Geografia de Lisboa, Sala Portugal.

Rua Portas de S. Antão, 100
Lisboa

Telefone - 213425068


A Sociedade de Geografia de Lisboa vai promover uma Sessão de Homenagem ao conhecido Artista Plástico, Investigador e Escritor de África que foi JOÃO AUGUSTO SILVA, cujo livro "ÁFRICA - da vida e do amor na selva", de sua autoria, foi distinguido com o 1º prémio de literatura colonial.

Com o Alto Patrocínio de Sua Excelência o Presidente da República.

Dia 3 Maio, sexta-feira às 16 Horas na Sociedade de Geografia de Lisboa, Sala Portugal.

Rua Portas de S. Antão, 100
Lisboa

Telefone - 213425068
                                                        * * * * * * * *


RECORDANDO O QUE ESCREVI EM 2007 ACERCA DO HOMENAGEADO

A)- Sobre o seu livro "ANIMAIS SELVAGENS"
     - Post 17
     - Link:


1.- DADOS SOBRE O AUTOR

Funcionário do quadro administrativo colonial, João Augusto Silva fez a maior parte da sua carreira em Moçambique (décadas de 40, 50 e 60), tendo ali atingido o cargo superior de inspector. Como administrador de circunscrição, esteve colocado em vários pontos do território, incluindo a Gorongosa cujo Parque Nacional dirigiu por acumulação e sobre o qual publicou o excelente livro-álbum, "GORONGOSA - Experiências de um caçador de imagens" , que publicaremos no próximo  Post.
.
Os dados biográficos deste personagem revelam possuir uma rara formação académica e profissional, abarcando títulos invejáveis como: escritor, artista (pintura, fotografia e desenho), administrador e naturalista.Dedicou-se muito particularmente ao estudo da fauna bravia africana, sobretudo de Moçambique. Aquelas duas obras são o testemunho disso pois constituem documentos importantes que preencheram, ao tempo da sua publicação, lacunas importantes na literatura deste ramo e ainda hoje são consideradas das melhores do país.

João Augusto Silva, para além de estudioso da vida selvagem foi um excelente caçador, tornando-se muito conhecido não só pelas narrativas dos seus feitos, mas também pela acção que desenvolvia junto das populações rurais, abatendo os animais bravios que invadiam as suas culturas ou atacavam as próprias pessoas. Elefantes, búfalos, rinocerontes, hipopótamos e leões, constam da longa lista dos seus abates da chamada "caça grossa". Ele praticava a caça como sendo mais uma actividade inerente às suas funções administrativas e foi justamente esta prática que lhe proporcionou o estudo do comportamento das espécies no seu estado selvagem, deixando-nos um importante legado nesta matéria.

Na parte final da sua carreira em Moçambique, organizou e dirigiu um programa radiofónico - A VOZ DE MOÇAMBIQUE - nas principais línguas locais, que se tornou um sucesso em todo o território.




2.- DADOS SOBRE O LIVRO

Antes da publicação do "ANIMAIS SELVAGENS", em 1956, pouco fora escrito, em português, sobre a fauna bravia de Moçambique. A lacuna foi colmatada com esta preciosa obra graças à feliz circunstância do seu autor residir em Moçambique, ser um entusiasta da caça, um estudioso da vida selvagem e também escritor. O Governo da Colónia soube aproveitar a oportunidade e mandou publicar este excelente trabalho que surgiu numa altura da minha vida em que estava muito carente de conhecimentos da matéria.



Com efeito, nessa altura havia já concorrido ao lugar de fiscal de caça e aguardava a nomeação (confirmada em Janeiro de 1957), mas francamente pouco sabia sobre o panorama faunístico do território e muito particularmente dos hábitos dos animais. Esta obra ajudou-me imenso nos conhecimentos teóricos que adicionei à relativa prática de pouco mais de um ano de contacto com a vida bravia no Alto Limpopo, onde me apaixonei pela causa da protecção deste importante património da natureza.

A extensa “Introdução” deste livro, só por si, constitui uma valiosa lição sobre a vida animal selvagem do continente africano, com algumas extensões comparativas a outros continentes. Não encontrei, até hoje, em qualquer dos muitos livros da matéria que li, uma síntese tão completa e uma descrição tão encantadora sobre a fauna bravia e o seu habitat.

O conteúdo em si, a que o autor classificou de "Contribuição para o estudo da fauna de Moçambique", é todo um desfiar de narrativas de factos, através das quais se dá conta de como vivem e reagem os animais selvagens perante a interferência dos humanos e muito particularmente dos caçadores que os perseguem e abatem. Espécies como: Elefantes, Rinocerontes, Hipopótamos, Búfalos, Girafas, Elandes, Bois-cavalo, Egoceros (palapalas), Cudos, Inhalas e Impalas, foram objecto de análise pormenorizada, mas a que mereceu maior desenvolvimento foi o Elefante, o gigantesco e incontestável rei dos sertões, assim definido pelo autor que acrescentou:

No seu ambiente natural, o elefante – animal soberbo, ágil, fortíssimo, majestoso – assombra pela força bruta aliada a uma clara inteligência. Ele é um dos animais cujo tipo de inteligência mais se aproxima do nosso.

Uma vasta colecção de fotos e desenhos daqueles animais ilustra essas narrativas, não obstante algumas imagens serem de animais mortos que podem impressionar as pessoas menos preparadas para entender o desporto dito de mais nobre e viril!



Uma lista dos ungulados de Moçambique completa esta obra, conferindo-lhe carácter científico que mais a valoriza visto que ali podemos encontrar a classificação sistemática das espécies segundo as convenções internacionais (Ordem, Sub-ordem, Divisão, Família, Sub-família e Género). Na nomenclatura comum destas espécies os nomes aparecem em português, inglês, francês e línguas (dialectos) locais como Tonga, Macua e Suahili, outro aspecto importante da mesma obra.

Embora seja em relação ao elefante que o autor mais escreveu e todas as narrativas nos encantem, escolhemos contudo um trecho do texto de abertura do capítulo “RINOCERONTE”, porque raros foram os caçadores que tiveram o privilégio de caçar e narrar com semelhante realidade e sentido poético o cenário como aqui é descrito por João Augusto Silva:

Paira em toda a largura do sertão o silêncio das grandes solidões do mundo. Parece que a vida estagnou. Espinhosas retorcidas, nuas, quedam-se tristes, batidas por um bafo de fornalha que queima como ferro em brasa. A grandes espaços, uma ave que não se vê ousa soltar um canto monótono – gemido prolongado que vai morrer ao longe, lentamente. As queimadas lamberam a terra e as árvores com ardente sofreguidão, deixando por toda a parte um manto cinzento-negro de ruína. Secou a água nos pântanos e o lodo, causticado pela febre do sol, greta como os lábios de um doente.
O homem não vive por ali, nem visita essas paragens, porque o homem tem horror ao silêncio.
E, contudo, ali vivem os grandes gigantes da fauna africana.
Por essas solidões ardentes passeia melancólico o rinoceronte, dando largas à sua psicose de inadaptado. Ele não é um vagabundo como o elefante. Bem ao contrário. Esse estranho paquiderme é um burguês rotineiro e sedentário.


…………………………………………………………………………………………………………………………..


Por esses matos fora nunca lograreis encontrar um elefante, um búfalo ou um antílope dormindo a sono solto. Mas ao rinocer
onte podeis surpreendê-lo dormindo pesadamente, alheio a tudo. E quando ressona fundo, sem dar conta de nada, como se ainda vivesse noutras eras, nas profundezas do Quaternário, quando o homem não passava de um tímido antropóide, impotente para lutar com as grandes feras.

…………………………………………………………………………………………………………………………….

**************

Um livro que enriquece a biblioteca não só dos apaixonados pela caça, como dos amantes da natureza e da vida do mato, tão belas são as narrativas das experiências vividas pelo autor.

Marrabenta, Junho de 2007

Celestino Gonçalves



B) - Sobre o seu livro-álbum "GORONGOSA" 
        - Post 18



1 - NOTAS SOBRE O AUTOR

Referenciado no post anterior como autor do livro ANIMAIS SELVAGENS, João Augusto Silva é trazido de novo a este cantinho para apresentarmos a sua segunda obra – GORONGOSA -, publicada em 1964, oito anos depois da primeira.


Este novo trabalho tem o estilo inconfundível do escritor-caçador-fotógrafo, que brindou Moçambique com dois dos melhores trabalhos acerca da sua fauna selvagem, a primeira sub-titulada de “Contribuição para o estudo da fauna de Moçambique” e a segunda rotulada de “Experiências de um caçador de imagens”.


Na verdade, uma obra completa a outra, porque tratando-se de um entusiasta e estudioso da vida selvagem, o autor era também um amante da caça e um excelente fotógrafo. Na primeira fez sobressair os seus dotes de caçador. Já na segunda está patente a sua veia artística com um excelente documentário fotográfico mostrando os mais significativos representantes da fauna do Parque na sua pujança de vida como bem os conhecemos naquela época.


Também demonstrou neste livro, nas narrativas e em algumas das imagens, o seu à vontade perante os mais corpulentos e perigosos animais, como o elefante e o búfalo, fotografando-os e fazendo-se fotografar a curta distância e até desafiando-os com gestos atrevidos e sem arma. Isto para justificar a tese (dele e de todos os naturalistas conhecedores da fauna africana) de que os animais selvagens, sejam de pequeno ou grande porte, temem e respeitam o homem.

Conheci João Augusto Silva em 1963, precisamente no Parque Nacional da Gorongosa, quando a sua base de actividades era já em Lourenço Marques. O facto de estar a preparar o livro GORONGOSA, levava-o a visitar o Parque com alguma frequência. Sentia-se ali perfeitamente à vontade, quer por conhecer em profundidade toda a região, quer pela forma como era recebido pelos funcionários que o tratavam com a reverência a que se habituaram em anos anteriores quando ele era o administrador de Vila Paiva de Andrade (actual vila de Gorongosa) e acumulava a direcção do Parque.

Naturalmente que o autor encontrou ali todas as facilidades, inclusive para recolher o material que lhe faltava para o “Gorongosa” e eu próprio também dei a minha modesta colaboração. Aproveitei as oportunidades que se depararam para abordar as questões mais dúbias que sempre pairam na cabeça de quem nunca sabe tudo. Foi assim que as nossas conversas conduziram a temas em que os meus conhecimentos puderam sustentar alguns diálogos com o mestre, nomeadamente a situação da fauna bravia de Cabo Delgado e Niassa (Alto Niassa do seu tempo), região que ambos conhecemos relativamente bem por ali termos prestado serviço, ele na década de 40 e eu na de 50/60.

Falámos da falta de uma política de conservação em relação às espécies mais apetecidas pelo comércio dos troféus, como é o caso do elefante e do rinoceronte. Ambos estivemos de acordo quanto à necessidade de uma reserva especial para protecção do rinoceronte em Cabo Delgado, visto que esta espécie ainda se encontrava ali bem representada mas que vinha sendo já alvo da cobiça dos caçadores furtivos incentivados por redes de tráfico dos respectivos cornos. Aliás, a ideia desta reserva já a tinha lançado nos meus relatórios anuais de 1958 e 1961, justificada plenamente visto que aquela região do norte de Moçambique albergava, na época, muitas centenas - provavelmente milhares - de rinocerontes, localizados em núcleos que identifiquei em dez zonas diferentes do distrito (actual província). A reserva, contudo, nunca foi criada!

O curso dos acontecimentos dos anos que se seguiram até 1992 veio dar-nos razão: os rinocerontes desapareceram, provavelmente até à extinção, tanto no norte como no centro e sul do país.





2 - NOTAS SOBRE O LIVRO

Porque se trata de um dos livros mais bem escritos e documentados sobre o Parque Nacional da Gorongosa, o mais importante de Moçambique e considerado até 1975 dos mais importantes de África, não posso deixar de reproduzir aqui o trecho de abertura do capítulo “Vagueando pelos caminhos do Parque”, ciente de que na actualidade e graças ao grande projecto de recuperação ali em curso pela Fundação Carr, desde 2005, os visitantes poderão saborear os prazeres daquele maravilhoso Parque e viver as emoções que o autor aqui nos transmite. As espécies continuam ali todas representadas (excepção do rinoceronte), algumas mesmo em excelente recuperação, pese embora o grande desfalque dos efectivos ali ocorrido durante a guerra civil (1977/1992). O acampamento do Chitengo foi já restaurado de forma a receber turistas e as vias de comunicação restabelecidas de forma a nelas poderem circular viaturas normais conduzidas pelos próprios visitantes. Apenas não se podem ver, por enquanto, as excepcionais manadas de búfalos, bois-cavalos e zebras, como outrora, mas a seu tempo elas serão recompostas conforme planos de reintrodução destas e de outras espécies já em execução pelo mesmo projecto.


* * *


“Estamos no Chitengo, centro dos serviços do Parque e acampamento para turistas. Vários pavilhões de construção simples mas cuidada proporcionam o indispensável conforto a quem deseja passar alguns dias de férias no maravilhoso reino dos animais selvagens. No bar ou na esplanada acolhedora, sob as copas protectoras de acácias amarelas, tomam-se refrescos e aperitivos. O restaurante, amplo e alegre, serve reconfortantes refeições e deliciosos vinhos das melhores regiões da Metrópole.
Ao cair da noite a luz eléctrica ilumina a jorros a cidadezinha-acampamento, ilha de luz no mar escuro e misterioso da floresta.
Corre uma aragem fresca. Sabe bem deambular no terreiro sob a ampla abóbada de um céu reluzente de estrelas, enquanto à roda do acampamento as hienas quebram o silêncio da noite com o seu uivo dolorido. Formam-se diversos grupos de turistas. Fala-se de caça e dos mistérios absorventes do sertão. Os novatos inquirem curiosos sobre os melhores caminhos a percorrer no dia seguinte para ver os elefantes, os búfalos, os leões… Os veteranos, com ar entendido, prestam esclarecimentos, sugerem itinerários e contam histórias – histórias que parecem fábulas – de encontros com manadas de dezenas de elefantes, de mil búfalos, de imensas hordas de bois-cavalos, de leões tão confiantes que se deixam estar, indiferentes à passagem dos carros, olhando desdenhosos. As histórias parecem incríveis e provocam assombro ou cepticismo.
Chegou a altura de recolher para dormir um sono reparador. Assaltam-nos a mente sonhos quiméricos; em cavalgadas alucinantes desfilam monstruosos animais bravios.
De madrugada toda a gente está de pé. O acampamento tornou-se arraial buliçoso e alegre. Os preparativos da partida para o mato fazem-se afanosamente por entre risos. Depois do pequeno almoço tomado à pressa tem início a debandada dos automóveis.
Logo ao fundo do campo de aviação começa a exibir-se o primeiro episódio do filme natural da selva – um filme a três dimensões, maravilhoso de cor, palpitante de realismo, que aparelho algum jamais reproduzirá com fidelidade.
Uma manada de gondongas desgraciosas espreita-nos com visível curiosidade. Duas crias brincam estouvadas. Aparecem algumas zebras gordas, de pele lustrosa como cetim. Uma centena de metros adiante o condutor pára o carro com suavidade…
- Há alguma novidade?
- Os elefantes!!!
Lá estão eles à direita, à distância de uma pedrada, passeando pachorrentamente. De quando em quando um deles detém-se, ergue a tromba para arrancar um raminho tenro no alto de uma acácia espinhosa e leva-o à boca torcendo a tromba com a mobilidade das serpentes.
O carro está parado e todos os seus ocupantes olham respeitosos o quadro invulgar.
Ali, diante de nós, desenrola-se como por encanto a cena autêntica, de um mundo perdido no fundo dos tempos. Volvemos de súbito às mais remotas eras! Aqueles monstros antediluvianos, no seu próprio ambiente, enquadrados por uma paisagem singular de palmeiras de leque, grotescas eufórbias, agressivas espinheiras, trazem-nos à memória, não sei se por misterioso atavismo, um mundo do qual conservamos reminiscências confusas na escuridão do subconsciente.
Aproxima-se um carro. Os seus ruidosos ocupantes rindo e gritando, destroem a deliciosa paz desse mundo edénico e os elefantes, com a humilde timidez dos fortes, internam-se vagarosamente na floresta. E a viagem prossegue.
Aqui e acolá, em charcos lamacentos, retoiçam javalis que olham o carro muito sérios ou fogem com a cauda espetada em pau-de-bandeira.
Passam zebras, bois-cavalos, cobos de crescente e novamente, e a cada momento, mais zebras, mais bois-cavalos, mais cobos. Estamos prestes a desembocar num outra picada à nossa frente. Aparece-nos então um soberbo elefante. É um gigante de perfeita e bem modelada anatomia. As presas irrompem-lhe do maxilar superior longas, grossas, muito brancas. Sentiu o carro. Divisou-lhe possivelmente o vulto com os seus olhitos de míope, mas como a aragem corre dele para nós, o olfacto não lhe desvenda a identidade dos intrusos e por isso o rei da selva continua o seu passeio, displicente e majestoso nos gestos, com a segurança de quem não conhece rivais e só respeita o homem.
Entramos na picada que conduz ao acampamento velho, agora transformado em solar dos leões. Estão todos ansiosos por verem o falso rei dos animais gozando plena liberdade no seu reino. Diante de nós, no meio da vasta planície desarborizada, erguem-se quatro albergues em alvenaria de tijolo, um refeitório e duas cozinhas que constituem o velho acampamento abandonado porque na época das chuvas o rio transborda sobre a planície e as águas invadem as casas e sobem até às janelas.
Nem um leão!... já é pouca sorte!
Ninguém esconde o seu desapontamento.
De súbito surge à porta de uma das cozinhas uma jovem leoa. Todos olham emocionados. A leoa queda-se uns momentos indecisa e por fim sai a passo, sentando-se no relvado a olhar-nos. Dirigimos o carro para as traseiras do acampamento. Um dos edifícios tem sentinelas à porta; uma leoa, certamente grávida, e um leão de musculatura atlética e juba pouco desenvolvida.
Da outra cozinha, mais ao fundo, sai então o patriarca do bando, um macho possante, enorme, com os músculos a desenharem-se através da pele coberta de pêlo amarelo torrado. A juba negra, farta e em desalinho emoldura-lhe a face austera onde brilham dois olhos claros de transparência vítrea. Está calor e o bicho, bamboleando no seu andar de marujo, vai estirar-se à sombra de um pequeno arbusto, olhando-nos de soslaio. Abre a boca, caverna rósea onde a comprida língua serpenteia no meio de acerados caninos muito brancos. Sensível ao calor põe-se a arfar como um caãozito fatigado.
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Continuamos a viagem. À nossa esquerda estende-se o tando – vasta planura de límpida esmeralda, tendo por pano de fundo, em cenografia ciclópica, a serra da Gorongosa pintada de azul e de lilás.
A estrada corre sinuosa na orla da mata, desvendando-nos um panorama surpreendente. Dum lado, a mata de espinheiras anãs, árvores da febre cujas flores enchem os ares com o seu perfume adocicado e palmeiras de marfim vegetal que desenham no azul do céu a graça heráldica das suas palmas em forma de leque. Do outro lado, estende-se o mar sereno da planície coberta de caça. Até onde a vista alcança vêem-se animais selvagens no mais completo à-vontade. Defendidos da ferocidade dos homens só o leão os preocupa; mas esse apenas mata para viver.
Parámos à sombra de uma acácia, para almoçar. Daí a momentos desenrola-se à nossa vista uma cena portentosa: um leão sai da espessura de uma moita e dirige-se, cauteloso, para a orla do tando. Em campo aberto pastam zebras, bois-cavalos e impalas. O leão, um jovem de pequena juba, a coberto de um tufo de arbustos, espreita com visível atenção como se avaliasse a situação e estudasse um plano de ataque. Por fim, rastejando com as cautelas do ladrão que receia ser surpreendido, vai-se aproximando a coberto das palmeiras anãs. Estaca. Já não pode adiantar mais um passo sem se denunciar. As zebras, as impalas, os bois-cavalos, ainda que descuidosos na aparência, não ignoram que os cerca um mundo de embustes e traições. Por isso mantêm-se em campo raso enquanto um ou outro varre o descampado com a sua vista penetrante. O leão achou que mais lhe conviria tentar a fortuna esperando a coberto das palmeiras anãs… E teve sorte o bandido! Em certa altura, duas zebras tomadas de brio, brincando com o desatino dos namorados, aproximaram-se em corridinhas caprichosas. Daí em diante tudo se passou num abrir e fechar de olhos.
Com a rapidez com que o raio derruba uma árvore assim o leão tombou fulminantemente sobre uma das zebras partindo-lhe a coluna vertebral de um só golpe. A vítima rebolou no chão levantando uma nuvem de poeira e o agressou voltou de pronto, cravando-lhe os dentes no pescoço musculoso. Com os caninos enterrados na carne fremente o leão ergueu a zebra, ligeiro como um gato levando um rato, e arrastou-a para a sombra fresca duma ocanheira. Ali, muito à vontade, abriu-lhe o ventre e ébrio de gozo, embrenhou o focinho nas entranhas de onde o sangue borbotava aos sacões.
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E a caravana prossegue entusiasmada com mais este episódio vivo e dramático do livro da selva.
Ao longo de toda a picada, do lado do tando, as manadas sucedem-se a perder de vista. Marchamos agora em direcção ao rio Urema – a mansão dos hipopótamos.
Predominam, os cobos de crescente, as zebras, os bois-cavalos, as impalas.
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Ao fundo, muito longe, estende-se uma fita comprida de animais que pelo efeito da miragem, comum nestas planuras sobre-aquecidas, parecem vaguear suspensos sobre um lago irreal prateado. A cena causa admiração e entusiasmo àqueles que nunca haviam presenciado o estranho fenómeno.
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Avistam-se hipopótamos pastando como toiros nas lezírias. À vista do carro movimentam-se e correm para o rio em fila indiana, O carro aproxima-se e os volumosos paquidermes, para espanto de quem os supunha pesados e lentos, largam em corrida célere e mergulham nas águas, fragorosamente.
Fazemos alto à beirinha do rio. Bem perto de nós, boiando nas águas lodosas, agita-se uma massa compacta de hipopótamos, talvez duas centenas. Mas tão longe quanto a vista alcança, sucedem-se manchas de hipopótamos, verdadeiros cardumes ao longo do rio sinuoso que, batido de chapa pelo sol, lembra uma larga fita de aço inoxidável desdobrada na verdura da planície.
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Depois destes momentos tão bem passados, ricos de acontecimentos e imprevistos, abalamos de regresso ao acampamento.
Sobre o lugar onde deixáramos o leão com a presa volteiam abutres. Dirigimo-nos para lá. À chegada do carro os abutres que estavam poisados, banqueteando-se sofregamente, levantam voo e protestam riscando os ares calmos com o seu piar sinistro.
Aproximam-se dois chacais prateados e logo a seguir à primeira curva depara-se-nos uma hiena farejando os ares.
O acampamento está cheio de turistas. Trocam-se impressões animadamente. Cada um conta entusiasmado as cenas que presenciou, duvidando que outros tenham assistido a maravilhas semelhantes.
No dia seguinte abalamos em busca de novas aventuras.”

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NOTA: Mais informações sobre a história e a situação actual do Parque Nacional da Gorongosa, podem ser recolhidas nos sites:


http://www.gorongosa.net/index_por.html
http://my.gorongosa.net/

Marrabenta, Junho de 2007

Celestino Gonçalves